Autor:  Cícero Sena

Escritor, Advogado, Empresário e empreendedor.

Trocas de Gibis

Na década de 60/70, Araçatuba contava com vários cinemas e um público aficionado. Um deles, o São Francisco, era o meu predileto. Ficava na região dos barzinhos e à noite, sua frente era um burburinho e ponto de encontro da juventude.Havia um dia na semana dedicado os filmes japoneses. A cidade é um dos maiores redutos de descendentes no Brasil. Tinha ali vários amigos, e minha primeira namorada era japonesa, ou melhor, sansei. Nesse dia, saía da academia de Judô e ia com o grupo assistir aos filmes de samurais e seu Bushido.

Alguns anos antes, quando tinha meus 14 anos, aos domingos à tarde, tinha um compromisso imperdível: trocar gibis na frente do cine São Francisco. Eu morava no bairro Nova York, distante do cinema. Como não tinha ainda bicicleta, meio de transporte muito comum na cidade, ia andando. De vez em quando tinha de trocar o meu sapato furado com meu irmão,que ficava me substituindo no restaurante onde trabalhávamos.

Era um prazer voltar do cinema com os novos gibis. A ansiedade de lê-los era tanta que na volta, parava em algum banco de praça e os lia.

Lembro com nostalgia que a praça onde sempre parava era em frente ao Convento das Freiras e da Associação Comercial, que tinha esculturas de dois imensos leões, para a tristeza do amigo Ernesto, retirados. Essa pracinha também foi tema do causo número 13 deste livro.

 

Crio que a domingueira troca de gibis incutiu em mim e, provavelmente, em muitos outros jovens, o prazer da literatura pelo resto da vida.

Nas Brumas da Noite

Imutável como a eternidade, ela chega todos os dias no pôr do sol.

A expectativa de que a vencerei se frustra mais uma vez.

 

As reiteradas tentativas de superá-la se quedam dia após dia.

 

Cheguei ao conformismo. Seu soberano não me aceita ou quer minha companhia?

 

Em meu círculo afetivo ninguém me compreende. Seria Carma ou há um pacto astral?

 

Tal qual peregrino em busca da iluminação, perambulo pelas sombras fugindo da solidão.

 

A aurora chega com os primeiros raios de sol invadindo a penumbra do quarto. Enfim a redenção.

 

Com o corpo exaurido e o espírito em paz,

 

Vou  para o aconchego dos seus braços, ó Morfeu!

Academia de Letras do Brasil

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