Autor:  Cícero Sena

Escritor, Advogado, Empresário e empreendedor.

Raios que o Parta!

Gestão Vidigal, milênio passado. Morávamos em uma casa de esquina com amplo terreno. A casa da vizinha, a generosa Sra. Áurea, era bem próxima da nossa. A região era muita sujeita a raios e trovoadas. Aliás, todo o Estado de São Paulo.

    Era comum no café da manhã ficarmos em volta de um fogão a lenha, que no inverno servia também de calefação. Era uma versão prosaica da lareira. Certo dia chuvoso com muita trovoada, minha mãe, intuitiva, pediu para sairmos da cozinha. Mal saímos, um raio atravessou a parede da casa, passou exatamente pelo local onde estávamos e foi em direção da casa da senhora Áurea. Lá havia uma imensa despensa (equipamento de luxo que não existia em nossa casa) com muitas latas de 20 litros para armazenamento de mantimentos, carne de porco salgada etc.  O raio atraído pelas latas de metal arrasou a despensa e demoliu a parede. Pela primeira vez, ficamos felizes de não ter o luxo de uma despensa...

    O susto foi grande, especialmente, porque poderia ter fulminado a família inteira.

 

                      Raios que o parta!   

Café da manhã em Londres.

Estava com Edna e Thiago em Londres. Nosso programa era retornar a Paris e ir até Roma. Pegamos o trem pela manhã e almoçamos em Paris. Fui a uma agência de viagens para comprar passagens aéreas e reserva de Hotel em Roma. (Não havia Booking...)

    Deu tempo ainda de passar em Saint Germain des Pres para pegar uma mala no depósito do hotel, onde a tínhamos deixado alguns dias antes.

    Ao chegar a Roma às 10h da noite, deixamos a bagagem no Hotel Villa Borguese (onde Alberto Moravia residiu) e fomos para a Piazza Navona, vendo a Fontana Deol Moro e degustando um pernil de cordeiro com um Barolo.

    Antes de voltarmos ao hotel, lembramos surpresos que tomamos “break fast” em Londres, almoçamos em Paris e estávamos jantando em Roma, tudo no mesmo dia. Fazer turismos na Europa é fácil; pelas distâncias até de bicicleta é possível.

 

    Com pesar e frustração lembrei-me do nosso país e sua dimensão continental, sem hidrovia, sem trem, sem estrada e sem governo decente.

 

NOTA – Os dois textos literários do escritor brasileiro Cícero Sena foram extraídos de sua Obra: HISTÓRIAS QUE VIVI: Causos e Crônicas da Jornada de uma Vida, 2017.

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