SOLFEJOS AO VENTO

Na aurora rosicler da doce primavera,

Os olhos a brilhar ao surto da beleza,

Transporto-me, extasiado, ao reino da quimera,

E, a lira a dedilhar, saúdo a Natureza.

 

Do campo reflorido, aufiro o forte encanto.

Da brisa que, suave, esgueira-se entre as flores.

Eu sinto o beijo terno e perfumado, enquanto

O peito se intumesce, dos mais finos odores.

 

E assim, já deslumbrado, eu fito o longo espaço,

Perdido no painel de rútila grandeza

Que se ergue, a palpitar, do Cosmo no regaço.

 

E então, sob a esplendência azul do firmamento,

A lira a empunhar, de novo e em sutileza.

Defino o meu sentir, em Solfejos ao Vento.

OLHOS

Janelas d’alma abertas para a vida,

Ao fluxo esplendoroso da Aurora,

Que marca uma existência colorida

Ou fixa o dissabor na vida afora.

 

Nem sempre está nos olhos a ventura

Em laivos de meiguice e de carinho.

Às vezes há sintomas de amargura,

Rolando nas arestas do caminho.

 

Os olhos que denotam a tristeza,

São, mesmo, os que exprimem o amor,

Nos gestos eloquentes de grandeza.

 

Os olhos são, também, no sofrimento,

Os vincos que traduzem o rancor,

Antônimo do grande Mandamento.

SONETOS DO ESCRITOR CID ALMEIDA CARVALHO (HOMENAGEM PÓSTUMA) – NASCEU EM REMANSO, BAHIA. JORNALISTA E POETA DE MUITO TALENTO (Autor de 13 livros de poesia).

Academia de Letras do Brasil

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