Autora: Marlene Pires de Aragão (Marlene Aragão)

 Professora pesquisadora da UFBA e Escritora vitoriosa, precocemente reconhecida, cujos textos literários de sua autoria, elaborados durante sua adolescência, já eram apreciados com entusiasmo pelos seus mestres.

 

ESPIGA GENEROSA

Felicidade é grão

à espera de terra fértil

para florescer;

é semente que germina

no calor do peito,

escondida nas pequeninas coisas,

nas coisas simples da vida.

O simples é que dá

sentido à existência.

Não é banal como parece:

é essência escondida na

significância dos gestos

e das coisas.

Pode ser

um olhar de ternura,

um sorriso de alegria,

um aperto da mão,

uma mão amiga,

o ato generoso de quem partilha,

ou ainda...

a saudação cordial

de quem, no cotidiano,

cena, cumprimenta,

fala:

- Bom dia como vai você?

Felicidade é grão pronto

para se semear – só depende

de nós.

Contudo,

é preciso arar,

em terra própria,

antes da semeadura,

para que a colheita,

se faça farta e breve,

para que haja paz.

Por isso, quero ser grão,

                 quero ser terra,

                 quero ser grão,

                 barro simples,

para crescer como

espiga generosa,

para me tornar melhor,

ao semear, na vida,

o pão do amor.

 

SEGREDOS CÓSMICOS

 

 

Há sinais

No sol,

Na lua,

Nas estrelas.

O universo se prepara

E até as folhas

Parecem chorar.

O chão treme e o

Seio da Terra brame em convulsão.

O universo pulsa, e,

O planeta Terra

Pede socorro, agoniza...

Só os homens parecem

Não entender.

Onde a guerra se alastra,

A paz se encolhe,

Amofina,

Desaparece.

Só podemos perceber

A luz,

Quando somos capazes

De olhar

Os infinitos sóis

Que nos rodeiam,

Ver as infinitas partículas,

Reverberando,

No espaço-infinito,

Ano-luz,

Para chegar até nós.

Somos sóis, na medida

Em que internalizamos

O calor e a plenitude

Dos segredos cósmicos

Para refletir,

Qual espelho refletor,

A mesma luz.

 

DESABAFO

 

Só o nome da moralidade,

Da justiça,

Da igualdade,

Do social,

Desprezam a dignidade

Os direitos humanos, e,

A Constituição.

Há uma encruzilhada no caminho,

No caminho há uma encruzilhada,

Onde os cidadãos encontram-se

Encurralados,

Para centralidade do poder.

Sob o jugo da globalização,

Da generalidade,

Da banalização,

O crime público campeia.

Sob a bandeira da corrupção, e,

Da impunidade,

Morrem os direitos,

A autonomia,

O respeito ao cidadão-trabalhador:

Da saúde, da educação,

Das demais profissões, e, ainda,

Falam de democracia neste país! ...

Na democracia proclamada,

Aninham-se os germes:

No favoritismo,

No conservadorismo,

Do deixe ver como é que fica...

Pobre e querida Nação! ...

Como poderão seus jovens

Assumir o papel que lhes cabe,

No presente-futuro,

Conjugando o verbo,

No tempo mais-que-perfeito,

De forma límpida,

Consciente,

Digna e verdadeira,

Se, a atmosfera que respiram,

É de descaso, de desrespeito com o povo;

Se o código que aprendem é o

Do “mensalão”,

Da violência

Da corrupção institucionalizada?! ...

Morrem os valores,

Chora a liberdade. Indago:

- Até quando abusarão da paciência

Do povo?

Removo aqui, um jargão

Que me põe de pé:

- A esperança não morre,

Porque o grito se faz eco,

Na garganta.

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