Universo Revolucionário Feminino

Que choquem os meus modos

Minha maneira de vestir, de recitar.

Minha conduta nem santa nem puta.

Sou apenas Mulher.

Meu estilo é meu!

E as rugas no meu rosto

São prêmios por anos de batalhas

Para não vê os frutos do meu ventre

Nas calçadas disputando espaços

Marcados com sangue, carne aberta à navalha.

Ao meu modo sou mulher revolucionária

Que vai à luta disputa e conquista

Que ao invés do lamento e conformação

Usa as armas que possui

Papel, caneta e inspiração.

Repudiando o pouco caso

De tanta gente “distinta”  

Que de maneira hipócrita e vil

Horrorizam-se com os frutos da salvação

Ganhando e perdendo a vida nos sinais, nas ruas

Tapeando a fome com drogas e restos

Recebendo fermentado e amassado

Pelas mãos do próprio diabo - O Pão

Por conta de um sistema que enoja

Nossa casa, nossa gente - Nossa Nação.

Que choquem os meus modos!

Sou mulher liberta, poetisa ou poeta.

Sou espírito livre, felina indomável.

Recuso-me a ser moldada, lapidada.

E os meus poemas?

Meus poemas são santuários

Templos de proteção

Arquivos eternos de sentimentos

Que sem nenhum pudor, comedimento

Revelam a minha intenção puramente feminina

De amar e ser amada.

Ao meu modo sou mulher revolucionária

Sou poeta, sou CLARA.

Divina ?

Não quero ser uma mulher Divina

Pois, vivo entre o Céu e o Inferno

Vivo no mundo carnal, real,

Só quero o que desejo:

“Liberdade ainda que tardia”

Sair sem medo nas ruas.

Quero o direito de recusar,

Não ser dele nem tua.

Como mulher, quero tudo  

O que tu não queres,

Desejo tudo o que me impedes ter

Sob o estigma do machismo

E a desculpa da covardia.

Eu não quero dor

Nem sofrer por amor

E como toda mulher valente

Recuso-me a beber do cálice,

Envenenar o meu corpo,

Definhar de desgosto.

Eu quero me sentir viva,

Sorrir, sorrir e cantar

De alegria e felicidade,

Chorar, chorar, chorar.

Não posso ser uma Mulher divina

Em um mundo cheio

De homens contaminados

Mundo em que há homens desalmados 

Cuja Violência contra as Mulheres

Muitos ainda acham graça

Escarneiam e outros ficam calados

A as mulheres que os bárbaros violentam

Vertem lágrimas que abrem caminhos,

Banhando os fartos seios,

Aconchegantes ninhos,

Cujos Filhos da Violência, 

Com Amor incondicional,

Elas, as mulheres dão-lhes a vida

Protegem e amamentam.

Autora: Eliana Clara Santos Maciel Orrico

 “Ativista Cultural e Escritora. ...Ao meu modo sou mulher revolucionária, sou poeta, sou CLARA”; assim, no poema de sua lavra: Universo Revolucionário Feminino, neste site transcrito, ela se revela.

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