Indivizivel Ser

         

Sem asas,

pássaro a esmo,

na imensidão

sozinha mesmo

ensaindo vôos

planando sonhos!

Não mais a mágoa

que deságua

- oceano infindo

- o esto de todas as dores.

E assim vou

indo e vindo

sim,

de mim para mim!

Poeta - 

O meu sonhar - caminho

mar!

buscando insistente

amor de gente

que faz laço

soma, psiquê

hibrido/ser

diferente

esculpindo

o passo

o andar

chão e espaço

a trajetória

da sua história

-incessante burilar.

Não mais sei

se sou

e o que

o meu peito aberto

- um bem querer

decerto!

Poeta?

profissional da palavra

e do silêncio

que lavra o cio

e o pensar!

A palavra

lavra a arte

lavra a ciência

pois que,

linguagem

pura essência

singular.

Indivisível ser!

Que sente?

Diz o "eu"

que também é

" mim" e nós

- só um m fiozinho de voz.

Poeta?!

Profissional!

O viço

não é nada igual.

maior?

menor?

universal?

deveras é.

Se paixão 

é tudo que sente

em extensão e profundeza

beleza maior não há

Palavra não há p´ra dizer

o que é sempre diferente

singular!

gente erra/acerta

nunca está pronto

com certeza

nunca para de crescer

de escrever a lida incerta

e tudo é vida!

Ser é

e não se é

concomitância

de tamanha importância

desmedido é o dizer.

Quase sempre

é somente um parecer!

Gildete Lino de Carvalho

Salvador, 14/02/2017

  Vi rugas prematuras da vida.

  Vi a vida morrendo por antecipação.

  Vi a vida querendo viver.

  E eu disse: sim!

 

  Por que não?

 

  Ao cáustico sol, os caminhos assemelham-se a um lençol de poeira e os galhos retorcidos das árvores, como gritos de dor que se inibiram no gesto.

  Venho dessas plagas. No limite de Pernambuco com Bahia - Petrolina e Juazeiro. Bebi dessa sede. E a procissão de homens que eu vi fugir do horrendo monstro -  a seca - chamo-a de Vida Crucis, obra que apresento ao público, como os recursos da pintura no azulejo e da poesia.

  A quem ou a que serve a morte prematura do nordestino?

 Através das duas expressões - a da arte visual e da arte literária, o meu testemunho e inserção nessa história, - abrindo espaços de reflexão sobre os pôrques e para que - A trajetória que o retirante nordestino cumpre, para a morte.

 

Autora:  Gildete Lino de Carvalho

Psicóloga/Psicanalista e Poetisa de acurada sensibilidade humana.

Academia de Letras do Brasil

Seccional Bahia

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