Triste, descrente e aviltada cidadania,

de dever tão pobre...de direito em demasia.

Falso céu de ilusões que a todos inferniza.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

 

Dever e direito em total desarmonia,

abominável destino de nossa cidadania,

que beneficia mais a quem menos concretiza.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

Comissão de Direitos Humanos é cidadania,

de Deveres Humanos, não, realidade?, utopia?

delírio de tantos, que a todos martiriza.

O sonho do Direito só o Dever realiza

 

Só atingiremos nossa plena cidadania

quando o dever for também motivo de alegria,

a mesma da vantagem fácil, que tudo ameniza.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

 

Direito mania e Dever antipatia,

contraste nítido aqui se evidencia:

este é doloroso, aquele sempre suaviza.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

 

Dever é dívida amarga que a todos angustia;

direito é manjar dos deuses, que sempre delicia.

Cidadania existe no Dever Amor que humaniza.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

 

Criança recém-nascida, exemplo de cidadania,

Nos seios da mãe trabalha com sabedoria;

Dever/Direito – em uníssono – aqui se harmoniza.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

 

Mas, quando seus direitos de cidadania

faltam e algo o amargura, o bebê tudo fantasia

e o peito da doce mãe é ternura suave de brisa.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

 

No terno exemplo materno, que bom seria ! :

se o homem, no seu seio, acalentasse a cidadania

no dever cumprido e em tudo que solidariza.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

 

E todos seriam iguais... e não mais haveria

discriminação, pobreza, dor e hipocrisia;

não mais deficiências que o ser escraviza.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

 

Nesse dia, Tiago de Mello se orgulharia,

“... porque não mais o homem do outro duvidaria”...

Porquanto, só um belo amor com outro rivaliza.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

 

E o homem, livre da algema que o prendia,

amará os animais, os vegetais, a ecologia,

seu semelhante, e do vil metal terá ojeriza.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

 

Feliz o dia em que não mais se elogiaria

o homem que cumpre seu dever de cidadania,

pois todos se solidarizariam com quem precisa.

O sonho do Direito só o Dever realiza.

E nesse fantástico e inesquecível dia,

Dever/Direito em amor se transmutaria,

Liberdade em vida plena se transformaria,

E, em cada gesto do homem, Deus se realizaria.

E do Dever o Direito se orgulharia.

O SONHO DO DIREITO SÓ O DEVER REALIZA

Gratidão é sincero reconhecimento,

nasce em qualquer momento

no fundo da alma agradecida...

 

É belo... é o mais puro sentimento

de amor... não tolera esquecimento...

Dá mais colorido à própria vida...

 

Gratidão existe, não é mera quimera,

e sempre surge de quem menos se espera,

no gesto e na ação de quem foi beneficiado.

 

Há na vida pessoas que a gente venera,

e a quem se agradece de forma tão sincera,

mas, tantas vezes, por tão pouco realizado.

 

De tão rara no ser humano a gratidão,

podemos contá-la num só dedo da mão,

mas, quando existe, deixa o Ser extasiado.

 

O “grato” é um ser tão raro e em extinção,

que tem medo de expressar sua gratulação,

para não ser pelo mundo vil execrado.

 

Ser agradecido é dádiva divina da criação,

é filho da imortal razão e da eterna emoção...

O grato é um ser infinito... não tem idade...

 

Há uma pseudo gratidão, de curta duração,

que só existe como mera ave de arribação;

a genuína há de pousar em algum lugar na eternidade.

 

Há todos os tipos de aves da gratidão:

o Bem-Te-Vi, cujo canto não parte do coração,

mas somente e diante do suposto bem amado.

 

Mas, também, a ave do paraíso, mera tapeação,

que gorjeia eternos versos de gratidão,

mas fenece na linda retórica do trinado.

 

Há, também, o gratíssimo, insistente e chato,

convencido e consciente do quanto é grato,

que chega a infernizar a vida do ser gratificado.

 

É dívida eterna e impagável a gratidão,

que só os juros são pagos no coração,

com amor a quem – pelo bem que fez - se fez amado.

 

A verdadeira gratidão se sente com emoção,

se consolida no sentimento e na própria ação...

E realiza, a um só tempo, reconhecido e agraciado.

GRATIDÃO.

José Américo Silva Fontes

Médico, inventor e poeta: onze livros publicados: nove sobre temas pediátricos e dois de poesia.

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