José Américo Silva Fontes

Médico, inventor e poeta: onze livros publicados: nove sobre temas pediátricos e dois de poesia.

QUE PAÍS É ESSE, MEU DEUS?!

(Para os governantes brasileiros)

Que país é este, meu Deus?!

Que despreza crianças

e mata esperanças...

É o país que tanto amamos

e do qual tanto discordamos.

 

Que país é este, meu Deus?!

Que abandona seus idosos

cinicamente e sem remorsos.

É o país que tanto amamos

e do qual tanto reclamamos.

 

Que país é este, meu Deus?!

Que não respeita as diferenças,

embora tão rico em raças e crenças.

É o país que tanto amamos

e tão pouco o respeitamos.

Que país é este, meu Deus?!

Que incentiva a impunidade,

mas, com grandeza e singeleza,

esbanja gestos de bondade.

É o país que tanto amamos

e no qual tão pouco realizamos.

 

Que país é este - meu Deus?!

Que tripudia seus governantes,

mas os reelege em todos os instantes.

É o país que tanto amamos

e, covardemente, tudo silenciamos.

 

Que país é este, meu Deus?!

Que pouco investe em educação,

mas, paradoxal, abomina tal aberração.

É o país que tanto amamos,

de analfabetos que fabricamos.

 

Que país é este, meu Deus?!

Que defende a corrupção,

intensamente, com paixão.

É o país que tanto amamos,

das mazelas que cultivamos.

Que país é este, meu Deus?!

Que condena os mais penalizados

e beneficia os mais aquinhoados.

É o país que tanto amamos,

contrário a tudo, ao que sonhamos.

Que país é este, meu Deus?!

Que defende Direitos do cidadão,

mas odeia Deveres, por convicção.

É o país que tanto amamos,

onde nascemos e nos criamos.

 

Que país é este, meu Deus?!

Que produz mitos, para sobreviver

da dor do não Ter, no desamor do não Ser.

É o país que tanto amamos,

de sonhos que acalentamos.

 

Que país é este, meu Deus?!

Que expulsa seus cientistas de valor,

e os atrai depois com falsas juras de amor.

É o país que tanto amamos,

mas. sequer prestigiamos.

 

Que país e este, meu Deus?!

Que exclui cidadãos com deficiência,

- e convenhamos: com total eficiência.

É o país que tanto amamos,

paraíso do “jeitinho”, que tanto admiramos.

 

Que país é este, meu Deus?!

Que sentencia os pobres de morte,

chora por eles copiosa e hipocritamente,

e os abandona à triste sorte.

É o país que tanto amamos,

e para ele, meu Deus, oramos.

Academia de Letras do Brasil

Seccional Bahia

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