Autora: Liliana Mercuri de Almeida

Educadora, Assistente Social, Vice - Reitora da UCSAL.

A Sombra

A Sombra apareceu de repente

do nada, da morte

trazendo tristeza, dor e desencanto

Ah! Sombra se tu soubesses

quanta assombração espalhaste

No primeiro instante parecia ter sumido

mas... logo deixou sua marca indelével

O que era claro, transparente

virou cinzento

E, como a sombra ...

desaparece e reaparece

Impediu que a luz do sol voltasse a brilhar

De sombra que era tornou-se realidade permanente

E a vida ficou sombria, tão triste

A Sombra levou com ela toda vontade de amar.

Reencontro

A cada novo momento a vida tem me propiciado surpresas muito agradáveis e até mesmo inusitadas. Nos últimos tempos diante de um convite tão gentil dos amigos José Américo Fontes e de Maria Julieta Firpo Fontes passei a refletir sobre o sentido de tomar posse como membro da Academia de Letras do Brasil- ALB – Bahia.

Acolher e dizer sim tem me feito pensar sobre o forte simbolismo que traz esta expressão da nossa língua portuguesa constituída apenas de três letras. A palavra sim vem sempre carregada de um forte e precioso significado. Ao pronunciar o sim o sujeito assume para si próprio e para o outro que lhe interpela um compromisso. Expressa a disponibilidade, a disposição interior de ir ao encontro de   algo que lhe foi proposto pelo outro, ou pelas circunstâncias que lhe foram apresentadas.

Dizer sim ao convite do honrado presidente da Academia de Letras do Brasil – ALB- Ba foi resposta dada ao afeto, aos sentimentos de fraternidade que nos unem. Maria Julieta e José Américo companheiros de caminhada há tantos anos, já não sei conta-los foram tantos e tem sido tantos os desafios e os sonhos que compartilhamos! E quando se sonha junto, é muito difícil continuar caminhando sem partilhar dos mesmos sentimentos, dos mesmos ideais.

A Academia de Letras do Brasil é um novo projeto na vida dos queridos irmãos mordidos pela mosca azul, inquietos, nossos amigos continuam buscando espaços para semear o bem, construir novas relações plenas de humanidade. E qual melhor espaço que o espaço da cultura?

Queridos amigos, permita-me parodiar lhes chamando “encantadores de sonhos”. Não imaginava que, participar da primeira reunião na casa da amiga Fiusinha, lá convidada para falar um pouco sobre Cultura me levaria por essa viagem que pareço começar a navegar. O sim despretensioso, naquela tarde, movido por um forte sentimento de afeto e por que não dizer de AMOR por vocês estaria abrindo novos horizontes na longa estrada percorrida chegando aos 80 anos. Abro espaço para lhes contar singularidades que marcaram minha infância.

        Parece que foi ontem, os anos se passaram tão depressa!

        Cercada pelo amor de meus pais, arrodeada de primos revisito talvez um dos momentos mais significativos da minha infância. Tinha eu por volta dos 7, 8 anos. Vejo-me sentada em uma grande esteira em baixo dos laranjais na Chácara do vovô Da Rin, em Brotas. Aqueles momentos permanecem na memória afetiva .... Faziam parte do nosso quotidiano. Após o almoço, a meninada corria para pegar as esteiras e saltitantes seguiam buscando acomodar-se à sombra dos laranjais. Seguia-se a dança da colheita e pouco a pouco as esteiras ficavam cobertas das bonitas laranjas que havíamos colhido. Éramos sete crianças e disputávamos os frutos maiores e mais amarelinhos. Lembro-me da mamãe e da titia descascando cuidadosamente as laranjas e passando primeiro para os menores e por fim para os maiores.  Lembro-me do quão saborosos eram aqueles frutos e nos encantava participar daquele ritual. Era um momento especial no qual a criançada se reunia acolhida e estimulada por nossas mães e após o lanche cada um escolhia um versinho para declamar. Recordo-me dos meus versos prediletos de Gonçalves Dias e Casimiro de Abreu.

        Minha terra tem palmeiras, onde canta o Sabiá; as aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, nossas várzeas têm mais flores, nossos bosques têm mais vida,
nossa vida mais amores... Canção do Exílio.

Academia de Letras do Brasil

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