NAS ASAS DA POESIA

 

TROVAS

 

Foi Jesus, o Nazareno,

Que a mulher elevou.

Celeste Pai – meigo, ameno,

À Igreja a comparou

 

A saudade que deixou

Trouxe tão só alegria...

Tristezas não cultivou.

Amor deu, amor queria.

 

Vi erguido o teu chapéu,

Numa fresta de luar.

Parada, silente, ao léu,

Vi-te na esteira do mar.

Tem o destino marcado

Quem não luta e quem não crê.

Confiando em Deus, na vida,

Ama, luta, já se vê.

 

Poesia faz voar,

Tirar nossa alma do chão.

Mas eu só sei voejar...

Voeja, meu coração!

O “sentir” mais o “pensar”,

Aí, encontraram-se um dia...

O pensar pensou: “Azar”!

Eis quem me precederia.

 

Ponha a alma numa trova,

Deixe seu sonho medrar.

Ela irá, terás a prova.

Do chão, alguém levantar.

Amor. O raiar do Sol!

Dá fulgor, vida germina.

A lua, sem arrebol,

O mundo inteiro ilumina!

Este céu me pertence

Não parei de voar

Tudo ao meu alcance,

Terei forças pra lutar

 

Deixei ninho vazio

Agora vou descansar

Se achar bando amigo

Irei os mares cruzar ...

 

Temporais medonhos ví...

Só contra eles, fiquei...

Foi quando quase morri...

Vi de perto meu ninho.

Passarinho

HOMENAGEM PÓSTUMA À POETISA MARILIA FARIA (Marília Josefina Almeida de Faria) - Portuguesa, brasileira naturalizada. Professora de Inglês. Pertenceu à União Brasileira de Trovadores – Secção de Salvador, Bahia.

Academia de Letras do Brasil

Seccional Bahia

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