Reaprendia a andar,

                  dono do meu caminho.

                  É certo que de vez em quando

                  a angústia senta à minha mesa

                  e monta guarda à porta do meu quarto.

                  No entanto,

                  não vem mais como aflição inconsolável.

                  Vem, por estranha alquimia,

                  em forma de acalanto.

 

                  Quem toca esse piano que não vejo,

                  esses sonhos que me chegam de tão longe

                  e que ficam no ar e me consoam?

 

                  Quem afaga meu rosto com meiguice

                  foge na noite e me faz esquecer

                  farpas, espinhos, barcos postos a pique?

 

                  Não sei o que aconteceu,

                   dono do meu caminho...

                   Mas descobri que é bom

                   poder andar sozinho..

                 DONO DO MEU CAMINHO

Eu quero a paz que se esconde à beira dos caminhos;

Suave como dedos acariciando pálpebras cansadas...

 

Não quero noites de luar

nem o lirismo doentio dos românticos.

 

Sirvam-me a paz como se fosse o suco da papouía

colhida no último minuto de luz do crepúsculo.

 

Quero a paz das areias secas dos desertos

e das folhas mortas...

A paz de um túmulo onde repousa uma vida

e palpitam mil vidas ao redor...

PAZ

Autora : Vera Freitas

Bacharel em Direito. Elevada sensibilidade poética.

Academia de Letras do Brasil

Seccional Bahia

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