Autor: Walmir dos Santos de Almeida.

Professor e Poeta.

Nascentes

Vou morar no alto das serras

Bem pertinho das nascentes dos rios.

Lá poderei protegê-las mais de perto.

Não deixarei que joguem dejetos.

Enfrentarei qualquer desafio.

Não permitirei que a maldade se aproxime.

Não serei testemunha de mais uma cruel depredação.

 

Usarei minha lança mais afiada.

Espantarei os malfeitores.

Os desprovidos de bom senso

Os degradadores.

Os sem almas.

 

Minha preocupação agora

é com o caminho que suas águas terão de percorrer,

pois encontrarão outros sem almas.

Gente que acha que não tem nada a perder

Outros sem piedade no coração.

 

O que atenua meu medo,

é saber que o homem já percebe

que a água doce poderá em breve faltar.

E que cedo ou tarde, mesmo que negue

Dias difíceis estão para chegar.

Mesmo assim, ficarei sempre atento e vigilante.

Onde houver nascentes lá estarei de prontidão.

 

Durante a noite quando me entrego aos lençóis.

Tenho tido pesadelos profundos.

Imagino a sede ao meu lado.

Do seu lado.

Perto de todo mundo

 

Sinto minha saliva seca.

Um enorme desespero na boca

Minha voz emudecida

Uma angustia louca

Um desassossego.

Com a iminência da falta d’água.

 

Grito desesperadamente.

Quero água para beber!

Tenho sede.

Posso até morrer.

Mas, meu eco fica contido num imenso silêncio.

E, ao meu redor vejo corpos imensamente cansados.

São crianças, adolescentes, adultos, idosos.

São pares de olhos claramente desanimados.

Uma confusão de vozes em desalinho.

Pela água doce que acabou.

 

E, você! Vai fazer o quê?

Sou Mulher

Sou a claridade das manhãs 

Sou o sol

Dou à luz

 

Sou terra irrigada 

Sou semente 

Sou planta que reproduz 

 

Sou caminho 

Sou ninho 

Sou lençol 

 

Sou abraço 

Sou laço 

Sou nó 

 

Sou fonte 

Sou água 

Sou cachoeira 

 

Sou Menina-moça

Sou MULHER

Sou guerreira

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